No Brasil, falar em vinho chileno é lembrar um velho conhecido. Pela proximidade do país, os chilenos e argentinos foram uns dos primeiros a desembarcar nas prateleiras dos supermercados brasileiros com a abertura de mercado, no início dos anos 90.

Mas se você pensa que conhece muitos vinhos chilenos, está enganado. O país conta com mais de 1.800 vinícolas – muitas delas de pequenas produções –, das quais somente 400 são exportadoras. E se puxar pela memória, deve se lembrar de umas 20, no máximo 30. Estou certa?

Pois é… está na hora de sabermos um pouquinho mais sobre esse nosso vizinho, cujos vinhos já têm mais de 450 anos de história.

Vinhedos do Chile

Vinhedos do Chile com a Cordilheira dos Andes ao fundo

As mudas de Colombo

Na segunda viagem de Colombo para a América, em 1493, mudas de parreiras foram trazidas e rapidamente distribuídas pelo continente. No Chile, elas chegaram em 1548, trazidas pelo monge Francisco de Carabantes. Os primeiros vinhedos chilenos foram plantados com a uva espanhola País.

As primeiras safras chilenas foram colhidas em Santiago e produziram pequenas quantidades de vinho para consumo familiar e em rituais religiosos. Alguns anos depois, Francisco de Aguirre conduziu a maior colheita do país em Copiapó, localizada na região do Atacama, impulsionando uma atividade que perduraria pelos séculos seguintes.

Durante o período colonial, a colheita da uva foi a mais importante atividade agrícola do país, e homens, mulheres e crianças trabalhavam juntos na produção do vinho. Nos 270 anos de dominação espanhola, o sucesso do vinho chileno criou uma competição com os vinhos da Espanha e logo surgiram decretos proibindo novas plantações de uvas e aumentando impostos para coibir a concorrência.

A Coroa espanhola agiu de forma drástica, proibindo exportações e arrancando videiras. Essas medidas ajudaram a fomentar a revolta contra os colonizadores, o que, combinado com os eventos políticos na Espanha e as guerras napoleônicas, culminou em 1810 no início da luta pela independência.

A luta durou até 1818, com a vitória das forças de Bernardo O’Higgins e de José de San Martín, este último um general argentino que atuou na libertação do Chile.

Com a independência, a vitivinicultura voltou a crescer, trazendo grandes mudanças ao país.

Uvas Carménère, Chile

A produção de uvas no Chile tem mais de 450 anos

A influência da França

Concha y Toro, Chile

Caves da Concha y Toro, Chile

Após a independência, os chilenos de melhor situação econômica passaram a viajar mais para a Europa e voltavam com novos hábitos na alimentação. Tornaram-se apreciadores dos vinhos franceses, em particular os produzidos em Bordeaux, e levaram uvas bordalesas para o Chile.

Regiões vinícolas próximas da capital, como Maipo, Rapel e Aconcágua, floresceram. Entre os produtores, o pioneiro foi Silvestre Ochagavía, que em 1851 contratou especialistas franceses que não apenas introduziram novas castas – especialmente das varietais Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Pinot Noir, Carménère, Sauvignon Blanc e Semillon –, como também trouxeram novas técnicas de produção. Com o seu sucesso, ele foi seguido por outros fundadores de vinícolas, muitas delas ainda em atividade: Viña Concha y Toro, Viña Errázuriz, Viña Carmen, Viña Cousino-Macul, Viña San Pedro, Viña Santa Carolina e Viña Santa Rita.

Nesse período, houve um grande ganho de qualidade e o vinho chileno estava deixando de ser um produto de consumo pessoal, para se tornar um negócio.

Filoxera – A praga que fez bem ao Chile

Vinhedos Santa Alicia, Chile

Vinhedos Santa Alicia, Chile

O surto devastador da filoxera, que causou uma grande crise na Europa, trouxe benefícios para o Chile, que não foi atingido. Em 1863, a praga teve início na França e espalhou-se por toda a Europa, prejudicando grande parte das cepas desenvolvidas nesse continente, além de Austrália, Califórnia e África do Sul.

Protegido de um lado pelo oceano Pacífico e, de outro, pela Cordilheira dos Andes, o Chile se manteve imune. Desse modo, as parreiras chilenas são da espécie européia (Vitis vinifera) plantadas em “pé-franco”, isto é, diretamente no solo, sem a necessidade de enxertá-las sobre raízes de espécies americanas, resistentes à filoxera. Os vinhedos chilenos mantiveram-se livres da contaminação, podendo ser utilizados para a recuperação da indústria no mundo.

Nessa época muitos produtores de vinho europeus que haviam perdido seus vinhedos em suas terras natais emigraram para o Novo Mundo e contribuíram para a expansão da cultura em desenvolvimento no Chile. Hoje, o território chileno é um santuário de videiras originais, centenárias.

O período de prosperidade propiciado pelas exportações para a Europa, que na época não tinha como produzir vinhos, revitalizou os vinhedos chilenos. Porém, com a retomada da produção em países tradicionais, como a França e a Itália, se seguiu a cobrança de pesadas taxas para a importação de vinhos, adotada em 1902. Com isso, o Chile perdeu o mercado internacional.

Outros fatores também contribuíram para que o Chile passasse por um longo período de ostracismo em sua indústria vitinícola.

Com a grande recessão, os Estados Unidos, que já era um mercado consumidor importante, proibiu o consumo de álcool. Na Europa, a primeira grande guerra interrompeu o acesso a mudas e maquinários. No próprio Chile o governo instituiu uma lei, em 1938, de restrição de consumo de álcool e proibiu o plantio de novas variedades e a importação de maquinário. Em 1970, o governo Salvador Allende iniciou um processo de reforma agrária, com expropriação de terras e divisão das grandes propriedades.

Somente em 1974, já sob Pinochet, a lei de restrição foi revogada e a produção comercial começou a ser retomada. Ainda assim com grandes deficiências em termos de qualidade, por conta dos graves problemas econômicos que o país atravessava. Não havia barricas de carvalho disponíveis, somente de uma madeira local, e isso produzia vinhos de qualidade inferior.

Os tempos difíceis foram superados e, entre a metade dos anos 1980 e os anos 1990, o Chile respirou novos ares, com investimentos em vinícolas e vinhedos, buscando locais de plantio. Estudos do terroir, conduzidos por nomes como Pedro Parra e Marcelo Retamal, resultaram em novíssimas regiões de plantio e fizeram surgir vinhos elegantes e inovadores.

Vinhedo Puente Alto, Chile

Vinhedo Puente Alto, Chile

A uva escondida

O mais recente boom internacional do vinho na década de 90 colocou o Chile mais uma vez sob a luz dos holofotes pelos seus vinhos de excelente qualidade e preços acessíveis. Com o aumento do interesse no produto, o Chile expandiu seus vinhedos e fez uma nova descoberta.

Em 1994, um estudo tentava descobrir porque os vinhos varietais Merlot chilenos eram ácidos, desequilibrados e não tinham a qualidade desejada. Para surpresa de todos, durante o trabalho descobriu-se que havia plantas da variedade bordolesa Carménère escondidas entre os vinhedos de Merlot. Essa variedade tinha sido dada como extinta com o surto da filoxera. No entanto, ela estava sã e salva e bem escondida nos vinhedos chilenos de Merlot, pois tinha chegado ao Chile antes da praga.

Quantos aos vinhos, o ponto de maturação da Carménère é diferente da Merlot, que amadurece muito mais cedo, ou seja, a uva era colhida antes do tempo e a assemblage das duas não era controlada. O resultado não poderia ser bom.

Enoturismo em Santiago, Chile

Carménère, a uva emblemática do Chile

Ambiente perfeito

O Chile possui um território com 177 quilômetros de largura, em média, e 4.300 quilômetros de comprimento. A vinicultura se desenvolve na parte central do território, numa extensão de 1.100 quilômetros.

Situado longitudinalmente entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, sua topografia particular cria vários climas diferentes conforme as diversas influências, indo do desértico ao norte ao frio e úmido no sul. Na faixa central, entre o Vale do Elqui e o Vale do Malleco, ele é considerado Mediterrâneo, o que oferece os verões quentes e secos, com índices pluviométricos praticamente zerados, e os invernos frios e moderadamente chuvosos. Essa característica permite o controle preciso da água disponível para a planta, elevando sua qualidade.

Chile

Topografia típica do Chile

A geografia única e as barreiras naturais como o Deserto do Atacama ao norte, as Cordilheiras dos Andes ao leste, os campos de gelo da Patagônia e a Antártica ao sul, e o Oceano Pacífico e as Cordilheiras da Costa ao Oeste, protegem os vinhedos do Chile contra pestes e fornece uma grande variedade de tipos de solo, resultando em um vasto mosaico de terroirs que permitem o cultivo de uma ampla variedade de castas.

Todos esses fatores contribuem para que a estação de crescimento revele dias muito ensolarados e temperaturas que caem consideravelmente à noite, criando a grande amplitude térmica que as plantas precisam para produzir vinhos com sabores de fruta fresca, acidez definida e, no caso das videiras de uvas tintas, cor profunda, taninos maduros e altos níveis de antioxidantes.

Vinhedos De Martino

Vinhedos De Martino

Um fato curioso: quando se fala de vinho, o Chile não é comprido, porém largo, ao contrário do que um mapa possa sugerir. Não é a distância do Equador que tem o papel dominante na definição do terroir chileno, e sim a proximidade com o Oceano Pacífico e com a Cordilheira dos Andes.

O Chile tem uma diversidade de solos e climas bem maior de leste a oeste do que de norte a sul.

Altitude ao Leste

Tudo no Chile parece ser influenciado pela onipresença das Cordilheiras dos Andes cobertas de gelo. Durante os últimos anos, cada vez mais vinhedos subiram as montanhas, onde o sol é lento para aparecer detrás dos picos ao leste mas traz consigo a intensidade que vem com a altitude. Correntes de vento sobem e descem todos os dias, criando uma alta diferença nas temperaturas máximas e mínimas diárias. Isso é exatamente o que enriquece as uvas tintas como a Cabernet Sauvignon.

Vinhedos no Chile

Vinhedos no Chile

Centrado no Vale

A longa estrada Pan Americana do Chile leva diretamente ao Vale Central, pelos rios que vão para o oeste diretamente das Cordilheiras dos Andes e ao redor da parte da Cordilheira da Costa que sobressai para o continente de vez em quando. Castas como a Carménère adoram este ambiente balanceado, onde o clima é estável e a terra é rica em geral.

Frio na Costa

Qualquer um que já nadou no Oceano Pacífico sabe que é frio! E ele é conhecido também quando vem contra a costa e cobre a terra com uma neblina pesada todas as manhãs. Ao meio-dia a neblina se dissipa, permitindo que as videiras aproveitem o brilho solar intenso. É exatamente esse o tipo de condição que enriquece as uvas de clima frio, como Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir.

Um país de muitas castas

Uvas viníferas, Chile

Carménère, a estrela do Chile

Apesar de a Carménère ser uma uva emblemática do Chile, o país produz vinhos das mais diferentes castas, incluindo alguns dos melhores Cabernet Sauvignon do mundo, além de Merlot, Syrah, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc. De toda a produção, 75% são de uvas tintas e 25% de uvas brancas.

A partir da Carménère são produzidos ótimos varietais, mas sua principal atuação ocorre em cortes de vinhos tintos de nível Premium.

A Syrah está bem adaptada, com bons resultados em diversos vales, e a Pinot Noir surpreende com ótima tipicidade em sub-regiões mais frias.

Também estão sendo redescobertos vinhedos antigos da Carignan e várias vinícolas boutique já apresentaram vinhos dessa variedade, que é bastante explorada no sul da França e na Espanha.

O desenvolvimento da indústria

As vinícolas têm incorporado tecnologia de ponta e muita exploração de novos e antigos terrenos permitiram aos produtores combinar a variedade de uvas com seus melhores ambientes. As videiras agora são plantadas desde o Vale do Elqui no norte a Malleco no sul. Os vinhedos subiram até as Cordilheiras dos Andes e chegaram mais perto do mar, produzindo um grande leque de variedades em qualidade, com vinhos únicos que denotam suas origens como apenas poucos vinhos no mundo podem falar.

Apesar dos mais de 450 anos de herança na produção de vinhos, a indústria do vinho chilena é fresca, jovem e está evoluindo significativamente para atender às necessidades dos atuais mercados internacionais, cada vez mais exigentes. Os vinhos chilenos agora estão disponíveis em mais de 90 países em cinco continentes, e as vendas continuam crescendo mesmo nos tempos apertados de hoje em dia.

A grande tendência no Chile é a vinicultura sustentável, com vinhedos orgânicos e biodinâmicos. De fato, alguns dos maiores vinhedos orgânicos estão no Chile, onde a natureza fornece tudo que as videiras precisam para produzir as uvas mais finas que os atuais consumidores de mente ecológica exigem.

As regiões produtoras

Vale Elqui, Chile

Vale Elqui, Chile

Vale Elqui

O que astrônomos e produtores de vinho têm em comum? Céu limpo e luz pura. Elqui tem ambos. Aqui no limite sul do Deserto do Atacama o sol faz sua mágica nas uvas de dia e as estrelas deslumbram à noite. A área tem sido conhecida por suas uvas de mesa, papaias e outras frutas, assim como pelo destilado que é o espírito do Chile, o Pisco. No entanto, cada vez mais vinhedos exploram o terreno da costa até o alto dos Andes – cerca de 2.000 metros acima do nível do mar – para o cultivo de uvas de vinho com resultados impressionantes, principalmente com a Syrah.

Vale Limari

O Vale Limari é uma região nova e antiga ao mesmo tempo. As videiras foram plantadas pela primeira vez na metade do século 16. No entanto, a nova tecnologia fez com que os produtores de vinho caçadores de terroir dessem uma olhada mais de perto nesse curioso território. A neblina fria do Oceano Pacífico penetra o vale pelo oeste todas as manhãs e se retira quando o sol nasce sobre os Andes e banha as videiras com luz pura pelas tardes. Com menos de 100mm de chuvas anuais, o sistema de irrigação gota a gota permite que as videiras floresçam enquanto suas raízes cavam profundamente o solo rico em minerais. Esta combinação cria vinho frescos com uma distinta vantagem mineral.

Regiões Vinícolas do Chile - Viva o Vinho

Regiões Vinícolas do Chile

Vale Choapa

O Vale Choapa está localizado no ponto mais estreito do Chile, onde não existe distinção entre a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa. Este pequeno vale é formado por dois setores, Illapel e Salamanca. Nenhum dos dois tem vinícolas até o momento mas os vinhedos plantados em solos de rochas piemontes estão produzindo uma quantidade limitada de uvas Syrah e Cabernet Sauvignon de alta qualidade, com uma alta acidez e baixo pH.

Vale Aconcagua

A 6.956 metros de altura, o monte Aconcagua, a montanha mais alta nas Américas, destaca-se no vale e seu pico coberto de neve entrega beleza e a água essencial ao vale abaixo. Uvas tintas têm alta produção no interior, mas novas plantações na costa estão provando que o vale também tem potencial para as uvas brancas.

Vale Casablanca

Relativamente novo na plantação de vinhos, o Vale Casablanca teve videiras plantadas pela primeira vez na metade dos anos 80. Rapidamente tornou-se mais uma página na história chilena da produção de vinhos. A primeira região da costa de clima frio do Chile logo lançou vinhos definidos e frescos que chamaram a atenção do mundo. A busca de novos terroirs chilenos havia começado.

Vale San Antonio / Leyda

Os vinhedos zombam do Oceano Pacífico ao chegarem cada vez mais perto da sua costa nessa região relativamente nova. As videiras escalam as montanhas a 4 quilômetros do mar e testam o caráter de cultivadores determinados e produtores de vinho pioneiros. O trabalho se paga com vinhos brancos autênticos, definidos e de minerais frescos, e também com vinhos tintos picantes que estão ganhando cada vez mais fãs.

Vale de Maipo

Vinhedos se alongam ao leste de Santiago às Cordilheiras dos Andes e ao oeste até a costa, formando três setores diferentes do Vale de Maipo, mais conhecido por seus vinhos tintos bem balanceados. O Alto Maipo alcança os pés da montanha e produz alguns dos mais destacados Cabernets chilenos. O Maipo Central é uma das regiões mais antigas e com a produção mais diversa do Chile. E o Maipo Costeiro – um integrante relativamente novo – beneficia-se da influência marítima fria, que desliza sobre e entre a Cordilheira da Costa.

Vale Cachapoal, Chile

Vale Cachapoal, Chile

Vale Cachapoal

Logo ao sul de Santiago, o Vale Rapel é o coração agricultural do Chile e se divide em dois setores de produção. Cachapoal, mais ao norte, é conhecido principalmente por suas uvas tintas. O Cachapoal Alto se alonga em direção aos pés da Cordilheira dos Andes e produz Cabernets elegantes e bem equilibrados, além de assemblages. Mais ao oeste, na direção da Cordilheira da Costa, o setor Peumo recebe influência marítima suficiente para criar um clima aquecido, porém não quente, ideal para o Carménère renomado e encorpado da área.

Vale Colchagua

A parte mais ao sul do Vale Rapel é uma das regiões de vinho do Chile mais conhecidas e já ganhou muitos aplausos por seus Cabernets, Carménères, Syrahs e Malbecs encorpados. Seus vinhos frequentemente aparecem no topo das listas dos melhores vinhos do mundo. A maioria das vinícolas estão concentradas no centro do vale, apesar de novas plantações avançarem subindo a montanha e explorarem a fronteira oeste em direção ao mar.

Vale Curicó

A diversidade reina em Curicó, onde mais de 30 variedades de uvas de vinho são cultivadas desde a metade dos anos 1800. A produção de vinho é sua indústria primária, enquanto também é a terceira maior região de vinho do Chile. A história da moderna produção de vinhos de Curicó começou quando o produtor espanhol Miguel Torres iniciou seu primeiro empreendimento no Novo Mundo nos anos 70, abrindo portas para uma onda de investimentos estrangeiros no Chile.

Vinhedos Vale do Maule, Chile

Vinhedos Vale do Maule, Chile

Vale Maule

Este tradicional e comprido vale de vinho – o maior e um dos mais antigos – tem atraído muita atenção. Os vinhedos de arbustos antigos e lavoura seca que ultrapassam a memória daqueles que cuidam deles produzem uma mescla excitante e naturalmente balanceada de Carignan, Cabernet Sauvignon, Malbec e outras variedades que ainda não foram identificadas. As plantações novas incluem Merlot, Cabernet Franc e o Carménère com acidez clara e frutas suculentas.

Vale Itata

O setor mais ao norte dos três vales da Região Sul, Itata, não é um novato no mundo do vinho. Alguns dos primeiros vinhedos foram plantados próximo à cidade portuária de Concepción durante os tempos coloniais. Hoje em dia a região é uma mistura de novo e velho com seus novos vinhedos posicionados verticalmente lado a lado com os arbustos das videiras antigas, fornecendo assim muitas oportunidades de exploração e crescimento.

Vale Bio Bio, Chile

Vale Bio Bio, Chile

Vale Bio Bio

Dias quentes e noites frias provocam uma temporada de amadurecimento longa. Porém, a pluviosidade mais alta, os ventos fortes e os extremos em geral do Bio Bio trazem condições mais desafiadoras que aquelas das regiões mais ao norte do Chile. Produzir vinho aqui requer mais paciência, técnica e coragem do que nos outros vales. No entanto, alguns poucos ousados se arriscaram e investiram em novas plantações de variedades de clima frio, como Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. Os primeiros resultados mostraram o esforço sendo recompensado, com vinhos excitantes com uma acidez naturalmente fresca.

Vale Malleco

Malleco é atualmente a denominação mais ao sul do Chile, apesar de vinhedos experimentais terem sido plantados muito mais abaixo, em Osorno. A área provou ser excepcional para o Chardonnay e experimentos com Pinot Noir são promissores, apesar da alta pluviosidade e uma temporada de amadurecimento mais curta tornarem a área muito arriscada para quase todas as outras variedades.

Vale Osorno

Ainda muito em estado experimental, Osorno, 900 quilômetros ao sul de Santiago, tem uma área bem pequena de vinhedos. Vinhos comerciais ainda não foram lançados e o futuro da produção de vinho dessa área permanece incerto devido ao frio e chuvas intensas.

O crescimento do enoturismo

Viña Aquitania, Santiago, Enoturismo, Chile

Viña Aquitania, Santiago, Chile

Frio aconchegante no inverno, verão com calor ameno, deserto, belas praias e a majestosa Cordilheira dos Andes aos seus pés. Assim é o Chile, um país em que o clima com estações definidas e a beleza exuberante das paisagens são mais que convidativos.

O Chile é sem dúvida um dos países latino americanos onde a vitivinicultura se estabeleceu com grande força e, por isso, é um dos principais destinos turísticos para os amantes do vinho. O enoturismo se constitui uma das principais atividades econômicas do país andino. Sua Rota de Vinhos, que passa pelas principais regiões produtoras e grandes vinícolas, oferece conforto, ótima estrutura, bom acesso e sofisticação aos visitantes.

Segundo números oficiais do governo chileno de 2013, o turismo relacionado ao vinho cresceu em ritmo acelerado no país nos três anos anteriores, em média 12% em cada temporada. Ainda de acordo com essas estatísticas, 80% dos visitantes são estrangeiros, sendo os brasileiros o maior grupo. Não poderia ser diferente, afinal, grande parte dos vinhos no mercado brasileiro são do Chile.

Frente da residência de verão da família Concha & Toro

Frente da residência de verão da família Concha & Toro

As vinícolas que fazem parte da Rota do Vinho no Chile são reconhecidas e premiadas internacionalmente. A mais conhecida delas, a Concha Y Toro, foi fundada em 1873 e localiza-se no Vale do Maipo. Outras vinícolas do Maipo também têm seu charme e oferecem aos enoturistas uma infinidade de programas relacionados aos seus vinhos.

A imponente e histórica Santa Carolina se destaca quando se fala em vinhos caros e de alta estirpe. Com várias sedes espalhadas pelo Chile, esta vinícola foi fundada em 1875 na região central do país. A sua sede próxima a Santiago sofreu bastante com o terremoto de 2010, mas ela passou por uma reconstrução completa e hoje se encontra em pleno funcionamento e aberta aos visitantes.

A região de Casablanca abriga as vinícolas que melhor produzem o vinho branco chileno. Um vale que fica perto do mar e que, por suas condições climáticas, é perfeito para a elaboração de vinhos com frescor e jovialidade. Destacam-se as vinícolas Matetic e a Casa Marin.

Ao sul do país, no Vale Colchagua, os tintos é que são as estrelas – cerca de 90% da produção do vale é de castas tintas. Colchagua foi primeiro circuito turístico do vinho criado no Chile, no ano de 1996, por 12 das quase 30 vinícolas da região na época. As vinhas Casa Silva e Viu Manent são muito visitadas.

Além de conhecer as vinícolas, suas estruturas, vinhedos e processo de produção, experimentar suas principais bebidas e refeições preparadas especialmente para acompanhá-las, o enoturista tem a opção de conhecer a história e lendas do vinho no Chile, que são muitas, em museus dentro dos limites das próprias bodegas.

As paisagens exuberantes do país podem ser desfrutadas em passeios guiados. Os hotéis das regiões oferecem serviços de primeira linha a preços justos. As ligações terrestres entre as vinícolas de cada região estão em ótimas condições e são acessíveis a qualquer visitante.

Um roteiro que combina história, belezas naturais, passeios a cavalo – uma ótima opção para os turistas amantes do vinho que querem sair do óbvio.

Uvas do Vale do Maipo, Chile

 

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