Hoje, 10 de setembro, é celebrado o “Port Wine Day”, ou Dia do Vinho do Porto. Como sou filha de português, o vinho do Porto sempre fez parte dos nossos almoços de domingo, seja como um aperitivo na entrada ou mesmo digestivo, ao final da refeição. Então, vamos comemorar essa data contando um pouco da história da Porto Ferreira, vinícola portuguesa com mais de 260 anos, uma das mais tradicionais casas produtoras do famoso Vinho do Porto português e que teve à frente, durante décadas, uma mulher empreendedora.

Tudo começou em setembro de 1756, ano em que a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, entidade criada pelo então primeiro-ministro português Marquês de Pombal, delimitou a primeira região vinícola do mundo.

A Real Companhia Velha, como também era conhecida a entidade, era responsável pela regulamentação das vinhas da região do Alto Douro, e possuía exclusividade da produção, taxação e distribuição dos vinhos, que viriam a ser conhecidos mundialmente como “Vinhos do Porto”.

O Vinho do Porto é um grande embaixador de Portugal mundo afora, representando a tradição e a cultura do país. A Porto Ferreira, referência desde 1751, é sinônimo de vinho português de alta qualidade. Sua história acompanha e confunde-se com a evolução da Região Demarcada do Douro e dos seus vinhos do Porto e de mesa (Douro DOC).

Antónia Ferreira, a Ferreirinha, quando jovem

Antónia Ferreira, a Ferreirinha, quando jovem

A Ferreirinha

Herdeira do fundador da vinícola e de família muito rica, Antónia Adelaide Ferreira, conhecida carinhosamente como A Ferreirinha, assumiu os negócios aos 33 anos e esteve à frente da empresa que fortaleceu e aumentou graças ao seu espírito empreendedor e carisma, concentrando em seu poder o importante patrimônio dos Ferreira. Uma mulher lendária, com personalidade única, que se tornou um mito e símbolo de força, enfrentando as adversidades do Douro no século XIX.

Ferreirinha ficou conhecida por se dedicar ao cultivo do Vinho do Porto e pelas notáveis inovações que introduziu. A sua família era muito abastada, possuía muito dinheiro e vinhas. O pai, José Bernardo Ferreira, casou-a com um primo, mas este não se interessou pela cultura da família e esbanjou grande parte da fortuna.

Dona Antónia teve dois filhos: uma menina, Maria de Assunção, mais tarde Condessa de Azambuja, e um rapaz, António Bernardo Ferreira. Ficou viúva muito nova, aos 33 anos, e foi a viuvez que despertou nela a sua verdadeira vocação de empresária.

Sabe-se que a Ferreirinha preocupava-se com as famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas. Apoiada pelo administrador José da Silva Torres, mais tarde seu segundo marido, Antónia Adelaide lutou contra a falta de apoios dos sucessivos governos, que considerava mais interessados em construir estradas e comprar vinhos espanhóis. Debateu-se contra a doença da vinha, a filoxera, e deslocou-se à Inglaterra para obter informação sobre os meios mais modernos e eficazes de combate a esta peste, bem como processos mais sofisticados de produção do vinho. A Ferreirinha investiu em novas plantações de vinhas em zonas mais expostas à radiação solar, sem abandonar também as plantações de oliveiras, amendoeiras e cereais.

Antónia Adelaide Ferreira

Antónia Adelaide Ferreira

A Quinta do Vesúvio, uma das suas muitas propriedades, era por ela percorrida e vigiada de perto. No ano de 1849 a produção vinícola era já de 700 pipas de vinho. Fruto de bons acordos, grande parte dos vinhos foi exportada para o Reino Unido, ainda hoje o primeiro importador de Vinho do Porto.

Quando Ferreirinha faleceu, em 1896, deixou uma fortuna considerável e perto de trinta quintas. Do Douro para o mundo passou a lenda da sua tenacidade e bondade. Em 2004, a TV portuguesa RTP exibiu uma série, de autoria de Francisco Moita Flores, em que se retratava a sua vida.

Passados mais de 260 anos, a Porto Ferreira ainda é referência em vinhos do Porto e Douro de alta qualidade. A marca pertence hoje à Sogrape, um dos maiores produtores de vinhos do mundo. No Brasil, a Porto Ferreira é representada pela Inovini, divisão de vinhos da Importadora Aurora.

Fotos: Divulgação

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